terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sem Título: (Série Angelus 2)

domingo, 29 de novembro de 2009

Entrevista com Clarice Lispector

Bom, não gosto de entrevistas de escritores concedidas a jornalistas. Não estou atacando os jornalistas, ao contrário, mesmo quando o entrevistador evita as perguntas triviais para não aborrecer a inteligência do entrevistado, são poucos os autores que se sentem à vontade para falar de si como escritores ou de suas obras, ou de suas opções estéticas. Isso é algo normal, poucos são espontâneos na frente de uma câmera de vídeo e um microfone. É o caso de Lispector, nessa que pode ter sido sua última entrevista antes de falecer naquele ano de 1977. O jornalista Junior Lerner, do programa Panorama deve ter suado para tirar algumas respostas de Clarice, algumas vezes extremamente evasiva, reservada, "cansada", mas é um documento respeitável para conhecer um pouco sobre essa escritora estupenda. No último vídeo, entrevista com Nádia Batella Gotllib, pesquisadora de Clarice.












sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Arte minha: Sem título (Série Angelus)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Pobre Amor (Eugênio Coimbra Jr.)


Senhora, vou contar-vos um segredo
que há muito tempo docemente embalo,
Se não vos contei já, não foi por medo
que avaro fui somente em conservá-lo.

Faz vinte anos que tendes um vassalo
(Vede que tudo começou bem cedo).
Desde então nem vos olho nem vos falo.
Feliz, muito feliz, com este segredo.

A vida separou nossos caminhos:
Tivestes rosas, eu só tive espinhos.
E ambos envelhecemos. Mas como arde

aquele estranho afeto do passado!
— Mas, o segredo ficará guardado
que agora é tarde, amor. Muito tarde.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Vídeo de Bruna Karolina

Moça de grande talento, minha eterna amiguinha Bruna. Escritora, poetisa, desenhista das melhores, e sabe-se lá que outras coisas maravilhosas ela faz, bem guardadinhas, esperando o tempo certo para mostrar. Designer, também. Futuro promissor, certamente fora do país. Este vídeo dela, feito no movie maker, com auxílio do Corel Draw e do Gimp, é uma delícia de estréia de Bruna em animação, com trilha sonora anos 80 e tudo (as personagens que se abraçam são dela, também. Fosse ela, eu participava de algum festival de animação. E o recado para o moço do vídeo é para se guardar para sempre.


sábado, 21 de novembro de 2009

Chambre Vide (Manuel Bandeira) - Tradução


Chambre Vide (Libertinagem)

Petit chat blanc et gris
Reste encore dans la chambre
La nuit est si noire dehors
Et le silence pèse
Ce soir je crains la nuit
Petit chat frère du silence
Reste encore
Reste auprès de moi
Petit chat blanc et gris
Petit chat

La nuit pèse
Il n'y a pas de papillons de nuit
Où sont donc ces bêtes?
Les mouches dorment sur le fil de l'électricite
Je suis trop seul vivant dans cette chambre
Petit chat frère du silence
Reste à mes côtés
Car il faut que je sente la vie auprès de moi
Et c'est toi qui fait que la chambre n'est pas vide
Petit chat blanc et gris
Reste dans la chambre
Eveillé minutieux et lucide
Petit chat blanc et gris
Petit chat.

Quarto Vazio

Pequeno gato branco e cinza
Resta ainda no meu quarto
A noite é tão escura lá fora
E o silêncio pesa
Esta hora eu temo a noite
Pequeno gato filho do silêncio
Resta ainda
Resta perto de mim
Pequeno gato branco e cinza
Pequeno gato


A noite pesa
Não há mais borboletas à noite
Onde foram essas criaturas?
As moscas dormem no fio de eletricidade
Eu estou muito sozinho vivendo neste quarto
Pequeno gato irmão do silêncio
Resta em meu cantinho
Pois é preciso que eu sinta a vida ao meu redor
E és tu quem faz o quarto não ser vazio
Pequeno gato branco e cinza
Resta no quarto
Acordado discreto e lúcido
Pequeno gato branco e cinza
Pequeno gato.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Crônica de Martha Medeiros

Uma coisa que devo admitir, com admiração, é que as mulheres, sejam ou não escritoras e poetisas, costumam ser mais sinceras que nós homens no quesito dor-de-cotovelo. E fazem da escrita uma verdadeira purgação da sensação lacrimosa, coisa que nem o mais aristotélico de nós homens tem coragem de fazer. Não que eu concorde com a crônica machista de que a Literatura feita por mulheres é confessional e sem cuidados na linguagem, sem a "poeticidade" esperada. pelo contrário, e eu diria que devemos muito a elas o sentimento sincero e humano que falta à escrita feita por homens. Choramos também, de tristeza e de alegria; nos magoamos, rimos e nos orgulhamos de viver tal ou qual experiência. Não diria que nós homens devemos às mulheres a sensibilidade que lhes é inerente, mas sem dúvida a coragem da admissão de quando estamos sofrendo muito sem fazer disso uma vergonha inadmissível. Mas, em respeito à escritora Martha, a quem não imagino que estivesse arrasada quando fez esta belíssima crônica abaixo (pela perícia das palavras e o excelente humor), farei coro a ela e direi, depois da leitura (com bordão masculino, rsrs): "Bola pra frente". Né não?

A DOR QUE DÓI MAIS


Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.

Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

"Les noms: Chéri-Bibi, Gaston Leroux" (Éluard)


Il a dû bien souffrir avec ces oiseaux! Il a pris le gôut des animaux, faudra-t-il le manger? Mais il gagne son temps et roule vers le paradis. C'est BOUCHE-DE-COEUR qui tient la roue et non Chéri-Bibi. On le nomme aussi Maman, par erreur.

"Os Nomes: Querida-Dor-na-Cosnciência, Gaston Leroux
"

Ele deve ter sofrido com essas aves! Ele pegou gosto pelos animais, precisa comê-los? Mas ele ganha seu tempo e rola pelo paraíso. É a EXAGERADA que segura a roda, e não a Querida-Dor-na-Cosnciência. A gente a chama também de Mamãe, por engano.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Michael Jackson (man in the mirror)

Um dos meus discos favoritos de Michael Jackson é o Bad (1987), de que tive até o vinil à época que foi lançado no Brasil. Entre todas as canções do disco, escolhi a música abaixo, Man in the mirror, mas qualquer uma das outras representaria bem o álbum e o nome do cantor norte-americano. O clipe que encontrei no youtube é uma versão pessoal de algum fã de Michael, muito bacana.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Paul Éluard (tradução)


Elle se refuse toujours à comprendre, à entendre,
Elle rit pour cacher sa terreur d'elle-même.
Elle a toujours marché sous les arches des nuits
Et partout où elle a passé
Elle a laissé
L'empreinte des choses brisées.

Ela sempre se recusa a compreender, a entender,
Ela ri para esconder seu terror dela mesma.
Ela tem marchado sempre sob os arcos das noites
E por toda parte por onde ela passou
Deixou as marcas de coisas quebradas.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Poesia Visual (usarei em sala de aula)

Para aqueles dias em que a gente pensa que poesia é feita apenas de palavras, e esquecem que mesmo as palavras são tão aéreas quanto mil imagens... é só usar a imaginação.

Ada Prieto (Narcisismo)

Antonio Ramírez (Siglo de Esperanzas)

Gilberto Mendonça Telles (Eu)

Adherrio Surré (Etílico Soneto)

Hugo Pontes (Nós, 1978)


Adilson Jardim (Porquinho-da-índia)
(homenagem à Bandeira e presente para uma amiga)


Fonte dos cinco primeiros poemas: www.poemavisual.com.br

terça-feira, 10 de novembro de 2009

ALiPo (Ateliê de Arte e Literatura Potencial)

Logomarca de minha autoria (CorelDraw)

Deus (ou algum parte do hemisfério direito de meu cérebro), felizmente me deu criatividade e amor à Arte suficientes para criar quantas obras sejam necessárias para manter minha paz pessoal e com os outros, à medida do possível. Com isso, esse geniozinho sentado no meu ombro me educa a investir sempre na criação, e fazer dela meu estilo, acima das próprias obras que eu venha a inventar. Explico.
Em nome de uma atividade voltada à pesquisa de métodos de criação artística em geral (das Artes Plásticas, Música, Design etc. à Literatura) além da criação propriamente dita de métodos próprios, reunindo estudiosos e artistas voltados a essas respectivas culturas, resolvi investir na elaboração de um grupo de pesquisas e criação artística.
Após decidir por alguns dias (minto, foi em algumas horas) abrir mão de um nome anterior, o qual já vinha apresentando a certas pessoas importantes, e devido a parcerias que infelizmente a vida não quis que desse certo, estou oficializando aqui no blog a criação da ALiPo (Ateliê de Arte e Literatura Potencial).
O nome, além das explicações que dei acima, também diz respeito a pesquisas que ando fazendo a partir dos trabalhos do OuLiPo, de que já comentei aqui no blog. Pretendo assim uma atividade de mão dupla: a partir do estudo da criação e a partir da própria criação de alguns de seus integrantes.
Se tudo der certo, pretendo dar andamento às pesquisas junto a essas pessoas especiais, congregar talentos e desejar tudo de bom à nossa empreitada. Boa sorte a todos nós.

domingo, 8 de novembro de 2009

Joana Maranhão

Fonte: A Tarde on line

Minha homenagem à Joana Maranhão pela conquista dos 400m e dos 200m no campeonato mundial de natação em Moscou. Parabéns, Joana.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A Presente


Dentro da luz de uma pequena lâmpada
Um inseto aprisionado remexe manchas,
Companheiras de sua dor.

Sonha com as trevas do limo, das cortinas,
Dos cômodos da casa, das pernas frias
Da morte sob o peso das mãos.

Sonha com a pele morna, as coxas quentes,
A luz morna e a canção das estrelas
Impressas em certo corpo dourado.

Ele morre no meio de um sonho.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Os limites da Representação



Acabo de ver notícia no yahoo sobre nova investida do Ministério Público em roteiro de telenovela. Desta vez (ou novamente) acusação de exposição de menor na trama. Uma personagem mirim é uma vilã. Achei pertinente trazer para o blog esta notícia, porque uma vez já escrevi aqui sobre isso. Continuo com a mesma opinião de que, como objeto que vai além do meramente estético, a arte não apenas dá a pensar, mas também costuma instituir, mesmo que por algum tempo, comportamentos estranhos no público, que às vezes confunde a representação e os valores que a arte expõe. Não é de hoje que ator de televisão apanha na rua de pessoas que assistem suas performances na tela e as envilecem juntamente com suas personagens. E olhem que isso não é só "coisa de gente ignorante", como dizem. Até Críticos eminentes batem o pé por implicâncias pessoais, imagine expor uma criança a apanhar na rua! É claro que dizer, como abaixo, que a criança não tem discernimento para entender a separação entre vida e arte é apostar na estupidez de uma criança, na negligência de quem cuida dela nos bastidores e na falta de talento dela para saber representar, mas a discussão é sempre válida. Qual o limite da arte?

"No caso da personagem de "Viver a Vida", as procuradoras Maria Vitória Sussekind Rocha e Danielle Cramer avaliam que "nem todas as manifestações artísticas são passíveis de serem exercidas por crianças e adolescentes". "O trabalho infantil artístico deve ser comedido, observando não só os aspectos legais, mas principalmente eventuais reflexos que determinado personagem pode provocar no desenvolvimento da criança", afirmam na notificação. Para as procuradoras, 'no caso em questão, uma criança de oito anos não tem discernimento e formação biopsicossocial para separar o que é realidade daquilo que é ficção. Isso sem contar com as eventuais manifestações de hostilidade que ela pode vir a sofrer por parte do público e não compreendê-las'."

Fonte: yahoo